sábado, 25 de janeiro de 2020

Encarecidamente vos peço

Se não for terminar, ficar até o fim, encarecidamente vos peço:
Nem comece!
Nem comece a ler, nem comece a se importar, nem pense em se envolver.
Não suporto mais a debilidade das boas intenções,
a fraqueza dos propósitos de quem diz se importar,
mas não consegue ficar quando fica difícil respirar.

Procuro por aqueles que, quando tudo fica escuro,
Não esmorecem!
Nem batem em retirada com a desculpa preparada que já tinham ao chegar.
E se o caminho é apenas um rumo incerto entre obstáculos impossíveis,
seguram mais forte nossa mão e dizem com um sorriso animador:
"foi exatamente para esse momento que eu vim, vim pra ficar".

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Se a poesia não existisse?

Se a poesia não existisse? Eu a descobriria. A resposta é pretensiosa, mas acho que a poesia é tão evidente que até um tapado como eu a perceberia na beleza de uma mulher, no contorno das montanhas, nas lágrimas no rosto, na morte, no fantástico evento que é o nascimento de uma criança, do sol, de uma borboleta.

Se a poesia não existisse, só não existiria por estarem as pessoas tão absortas em si mesmas, tão mortas para tudo ao seu redor que não seriam capazes de percebê-la. Se eu vivesse e essa vida ainda valesse a pena, eu a veria, mesmo tão tacanho como sou, atrevo-me a dizer, eu a veria.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Eu amo tudo isso

Família reunida, crianças por toda parte e a gente querendo transar. Os amassos que eu dava nela dentro do quarto a faziam rir de nervoso com medo de minha mãe nos flagrar. Toda vez que ela vai ao quarto eu vou atrás, e de porta aberta mesmo a agarro, esfregando-me em sua bunda, beijando sua boca com gulodice, o que sempre faz meu pau endurecer com grande rapidez.
Saco o caralho pra fora e falo "vê o que você fez?" Ela faz beicinho, me chama de tadinho e segura no meu pau, aperta forte, "eu adoro esse pauzão", ela diz enquanto inicia uma punheta antes de parar abruptamente me chamando de tarado e sorrindo. "Sua família está toda aqui, sossega!" e ela sai fugindo de mim me deixando com a certeza que entre aquelas coxas lindas sua buceta também lateja, e de tão molhada, aposto que até a calcinha está enxarcada. Eu amo tudo isso.

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[Meu pau não é tão grande, mas não cabe nos preservativos normais. Toda vez que tenho que comprar preservativos "Extra Grande", a dificuldade é tanto, é tão difícil achá-los que fico pensando como fazem os caras que tem caralhos realmente grandes. Se alguém ler esse post e for caralhudo, conta ai como se vira para arranjar preservativos]

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

É poesia


Ela não é uma mulher, é um poema
tem formas de mulher
as mais belas formas de fêmea
mas eu juro, é um poema.

Ela é mãe, tem amigos, pais, uma filha
mas creiam em mim,
ainda que ela passe batom e sorria
saibam que trata-se mesmo de poesia.

Não é mera exaltação ou elogio
ela tem defeitos, segredos, lugares escuros
ainda que todos nominasse e deles falasse

Você ainda saberia, indubitável como o dia
que ela é
a mais simples, embora maravilhosa, poesia.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Como uma onda


Vem como uma onda que sobe lentamente, mas que a tudo toma e a todos os espaços ocupa sem pressa e é quase displicente que começa como uma tensão no meu sexo despertando-me antes mesmo que eu pense coisas sexuais ou imagens eróticas apropriem-se de minhas fantasias que eu nunca aprendo a fazer com que me obedeçam ou que não saiam do castigo no qual as pus.

Certo é que nessa hora não importa com o que meus pensamentos se ocupavam e mesmo que fosse política ou economia ou até cálculos massantes de geometria; eu logo me renderia a uma vontade que surge levíssima, mas insistente e por caminhos escusos e nada rastreáveis me conduz inexoravelmente à putaria.

Então, entrego-me à pornografia embora seja um prazer dispensável frente ao que pode criar minha mente abastecida pela fornalha incessante dos apetites meus, e é assim que mundos sem fim e histórias devassas de mil maneiras alteram meu olhar e fazem-me agir de modo a aconchegar-me entre coxas quentes a trepar não querendo outra coisa senão mergulhar nesse mar em que ousar e foder não é apenas uma diversão para entreter, mas uma deliciosa forma de poder.

Mas também desce a onda que sobe e o que era poder torna-se sofrer no vazio criado pela energia dissipada com o que não é amor, e pouco importa se o que fez-se de fato se fez porque nem tudo que é empírico é real e quando nada que se diz se crê, amarga na boca qualquer gosto quando o olhar que te olha de volta no espelho do banheiro sente vergonha do que vê.

Você ainda vê?

Cheirar, tocar, ouvir, degustar, ver... é preciso ver.
Seja com a ponta dos dedos, ainda que as imagens se formem através do som
ou mesmo que só possa ver de olhos fechados ao sentir na língua o gosto
É preciso ver, dói no meu peito a urgência ao dizer, eu preciso ver.

Mas a cada dia meus olhos aquietam-se um pouco mais
as pupilas cada vez menos movimenta-se frenéticas à busca de algo novo
e mais e mais contendo-me com o óbvio, o escandalosamente óbvio
sem procurar a beleza que há além da cara maquiada
do dia, do medo, da mulher, do mundo, do silêncio, do amanhã, do amor
e esquecendo-me de toda a beleza que existe
abaixo da superfície, da propaganda oficial, da performance ensaiada
vicio em mim mesmo e tudo torna-se nada
um tão insaciável nada que devora cada resquício de brilho em meu olhar
até que não reste mais nada, até a última fagulha se apagar.
(...)
Não entendo como é possível, nem porque eu deixo acontecer.
Acontece o mesmo com você, porventura você ainda vê?

sábado, 7 de dezembro de 2019

Quando o menino vira homem

Não busco, não mais, ser um grande homem
basta-me ser homem
um homem de verdade ordinariamente comum.

Nem anseio mais a fé grandiosa
que cure enfermos e mova montanhas
basta-me a fé ridiculamente desprezível
tão ínfima que é
que apenas traga alguma luz aos olhos meus
e me mantenha de pé.

Toda criança sonha em ser grande
é necessário que assim seja
tão necessário como o dia, o fatídico dia,
em que percebemos onde a grandeza
realmente está.