sexta-feira, 14 de junho de 2019

Sensato?



sensato? 

pode ser 

mas 

algumas 

vezes 

me 

acho 

apenas 

um filho da puta de um covarde.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Inferno




Quanto ao inferno,
há o que lá estão e aqueles outros
que para lá estão reservados.


Seria, por acaso, menor o tormento destes
sendo que a todo instante podem ouvir
o ruído metálico das garras a afiar
como se houvesse já chegado a hora
das carnes de mais um desgraçado retalhar?

Desejo


Viu-a envolvido num ar de superioridade tão falso quanto uma nota de cinqüenta em sua carteira no final do mês e foi logo a detestando em seu pensamento secreto enquanto seu olhar escancaradamente a cobiçava deixando claro que em matéria de mulher quem manda é o olhar que dispara o gatilho que faz pulsar toda a máquina que ameaça desfalecer se o nariz não cheirar o perfume e a língua não provar o gosto e a mão não tocar a pele e o corpo não se apertar contra o dela que passa sem notar e bem faz em fingir que não vê o jeito bobo dele que mesmo assim ainda insiste em achá-la metida talvez dando razão para o ditado que diz que quem desdenha quer comprar.



terça-feira, 11 de junho de 2019

Lá fora



as verdades que desconheço e tanto anseio
estão lá
lá fora onde se esconde esse mistério
silencioso
insinuante através das sombras
se escondendo
ora me espreitando
ora dos meus passos
fugindo
me atraindo para ir lá
lá fora
onde me esperam as incertezas
onde são tantas as sutilezas
onde desmoronam as fortalezas
que me mantêm aqui
a salvo
dos mistérios que me esperam
lá fora.

sábado, 8 de junho de 2019

Desabafo



Você vê uma foto dos seus amigos ao redor de uma mesa, brincando e sorrindo, e comenta: "Ai, como e gostaria de estar ai com vocês".
Uma esposa vê a foto do marido com os filhos na maior diversão e diz: "Queria estar no meio dessa bagunça".
Um cara fica sabendo que seu amigo fez algo louco e diz abraçando-o fortemente: "Porra cara, como eu queria ter estado junto nessa".

A pergunta simples é: Será?

Será que se você estivesse junto teria acontecido aquele momento legal? Será que se a esposa estivesse com o marido e os filhos haveria aquele momento de diversão? Será que esse cara, se pudesse, realmente se jogaria ou atrapalharia a loucura do amigo? Não são poucas as pessoas que sistematicamente sabotam aquelas coisas que eles dizem admirar.

Volta e meia contamos mentiras para nós mesmos. Falamos que adoraríamos ter estado naquela diversão, mas, quando podemos, nunca estimulamos ou tomamos parte. Lamentamos as oportunidades perdidas, mas todas as vezes que elas aparecem nós temos ótimas razões para dizer "dessa vez, não".

Você certamente dirá que não é seu caso, mas não custa perguntar: Acontece com você?

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Adeus



Adeus” - A palavra não saía dos lábios, as bocas que tanto haviam se beijado se recusavam à despedida, os olhares se devoravam, as mãos ansiavam por dedos entrelaçados... e ainda assim a palavra estava ali - "adeus". 

A flor que ele trouxe era o último presente, sempre havia flores pelo caminho quando ele ia encontrá-la, sempre havia o sorriso dela ao vê-lo com os braços cheios das mais variadas flores e ramos, sempre havia perfume em seu ninho de amor. A palavra que sufocava e umedecia os olhos sem ser uma vez sequer pronunciada causava um enorme silêncio, um silêncio cheio de gestos vagarosos e olhares demorados como que gravando para sempre na memória cada detalhe. Era estranho, porque seus encontros sempre estavam cheios de palavras, a poesia era tamanha, as músicas que sussurravam no ouvido, os sorrisos que ecoavam pelo vale. Deitados olhando o céu ele se deliciava com a voz dela falando e falando e falando, fazendo-o sorrir e sonhar de olhos abertos ao som daquela doçura que enchia seu mundo. 

Mas hoje - "adeus" - essa única palavra sem ser ouvida causava uma imensa dor enquanto ele a abraçava aspirando o perfume em seus cabelos e tentava não olhar o horizonte para não adiar nem em pensamento o momento de vê-la desaparecer por entre as árvores levando na mão sua derradeira flor.



quarta-feira, 5 de junho de 2019

Thanks, God



Fantasmas chegam trazendo sombras à sua varanda
a temperatura cai e o verão em sua alma se vai.
Nada é como o que foi sonhado, tudo desmorona, desanda
nas roupas marcas de sangue e no rosto uma lágrima cai.


Sonho e rotina misturam-se e daí emerge uma coisa sem nome
não tem rosto essa parafernália de sensações.
A fé incendeia e a descrença me trai - o fogo que havia some
Sonho e medo fazem o peito pulsar como se houvesse mil corações.


Thanks, God!” - é fé, descaso ou saliva meus lábios de revolta?
Talvez teimosia, insistência de quem não quer morrer.


É a esperança de sentir o fogo de novo sob o gelo arder
Caminhar descalço e mesmo ao longe te ouvir: “volta”.